o nosso segredo

Todas as visitas são importantes. Mas existem aquelas em que a conexão com a criança é tão forte que até parece que são antigos conhecidos.
Na minha última visita senti uma ligação assim com uma garotinha e os seus 11 anos. Viramos confidentes nos minutos em que estive no quarto. Até agora me pego sorrindo ao lembrar daqueles olhinhos aflitos e a voz baixinha me contando, em segredo, várias coisas que eu, como sua mais-nova-melhor-amiga-de-infância, não vou me atrever a contar aqui! A sua mãe, ao lado, fingia não escutar a nossa conversa.
Depois a garotinha quis me arrumar um namorado: o irmão, que já ia chegar. Mas com a condição de que eu não o roubasse dela! E mais uma vez me confidenciou que o horário de visitas de todo mundo ali era menor que o dela porque ela não deixava o irmão ou quem a visitasse ir embora.
E quando chegou a hora de eu ir embora ela me chamou no cantinho e me deu uma bala de chocolate. "É a minha última mas fica pra você. E você pode dividir com ele, ó!", falou, apontando para o meu namorado - que eu já havia falado que se não desse casamento, iria procurar o irmão dela.
O que mais me comove nessa história foi a rapidez com que consegui ganhar a confiança daquela criança, em tão pouco tempo. Confiança, algo tão difícil de se conquistar nos dias de hoje. Essa conexão tão verdadeira é uma das possibilidades-presente que ser um palhaço de hospital nos proporciona. E conectar-se de forma tão profunda em apenas alguns minutos, principalmente hoje em dia, quando tudo é tão corrido e superficial é, para mim, uma dádiva. Benção.
Experiência mais enriquecedora essa de sentir o coração de uma criança com apenas um olhar.
Na minha última visita senti uma ligação assim com uma garotinha e os seus 11 anos. Viramos confidentes nos minutos em que estive no quarto. Até agora me pego sorrindo ao lembrar daqueles olhinhos aflitos e a voz baixinha me contando, em segredo, várias coisas que eu, como sua mais-nova-melhor-amiga-de-infância, não vou me atrever a contar aqui! A sua mãe, ao lado, fingia não escutar a nossa conversa.
Depois a garotinha quis me arrumar um namorado: o irmão, que já ia chegar. Mas com a condição de que eu não o roubasse dela! E mais uma vez me confidenciou que o horário de visitas de todo mundo ali era menor que o dela porque ela não deixava o irmão ou quem a visitasse ir embora.
E quando chegou a hora de eu ir embora ela me chamou no cantinho e me deu uma bala de chocolate. "É a minha última mas fica pra você. E você pode dividir com ele, ó!", falou, apontando para o meu namorado - que eu já havia falado que se não desse casamento, iria procurar o irmão dela.
O que mais me comove nessa história foi a rapidez com que consegui ganhar a confiança daquela criança, em tão pouco tempo. Confiança, algo tão difícil de se conquistar nos dias de hoje. Essa conexão tão verdadeira é uma das possibilidades-presente que ser um palhaço de hospital nos proporciona. E conectar-se de forma tão profunda em apenas alguns minutos, principalmente hoje em dia, quando tudo é tão corrido e superficial é, para mim, uma dádiva. Benção.
Experiência mais enriquecedora essa de sentir o coração de uma criança com apenas um olhar.
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